Desabafo II - Esclarecimentos
21/09/2004
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Vinicios Torres
Para entender do que estou falando a seguir veja Desabafo e pedido de oração
Não tenho como não ficar espantado com as coisas que Deus faz. O que era para ser apenas um pedido de apoio em oração tornou-se uma corrente de solidariedade, identificação e cumplicidade.
Quero agradecer às centenas de pessoas que enviaram e-mails, pelas que oraram e continuarão orando por nós. Quero agradecer às inúmeras indicações de igrejas e convites para conhecê-los. Não posso deixar de agradecer àqueles que inclusive nos mandaram seus telefones e endereços para entrarmos em contato. Com o tempo farei questão de conhecer, se não todos, com certeza muitos de vocês.
Isso certamente já alivia imensamente o sentimento de solidão que qualquer pessoa possa ter.
Mas, devido ao conteúdo de muitas mensagens, achei adeqüado fazer alguns esclarecimentos.
Sobre as igrejas da cidade
Primeiramente, em nenhum momento quis transparecer que nenhuma igreja em Brasília que visitamos é boa. Como disse no meu desabafo há duas condições que se impõe em nossa busca: a primeira é a linha doutrinária/prática da igreja, a segunda a distância.
Visitamos algumas igrejas que, apesar de não tratar o visitante com interesse que consideraria adeqüado, nós chegamos a dizer: "se morássemos por perto aqui seria um bom lugar." Chegamos, inclusive, a tentar procurar um apartamento perto de uma delas, mas os custos com moradia na região são proibitivos para meu orçamento atualmente.
Estamos morando em uma cidade satélite que oferece acesso fácil ao meu local de trabalho, reduzindo assim a distância que preciso percorrer para trabalhar todos os dias. Eu não considero saudável ter de percorrar 40 a 50 km para ir à igreja, isso com certeza limita as oportunidades de comunhão e serviço. Se não houvesse outras opções mais próximas seria admissível, mas esse não é o caso.
Sobre as pessoas da cidade
É interessante notar que apesar da proximidade relativa as cidades satélites têm características bem diferentes umas das outras. Como gostam de dizer os missiólogos, vir morar em Brasília é uma experiência transcultural.
De maneira alguma quis condenar as pessoas daqui. Tenho feito amigos preciosos e com certeza muitos ainda farei. Meu lamento, no entanto, não se refere aos que estão no mundo, mas ao fato da característica individualista ser considerada alternativa válida para os cristãos.
Se você fizer uma busca pela expressão "uns aos outros" na Bíblia verá que a vida cristã não considera esta alternativa. A ordem para Abraão ecoa desde aquele tempo até nós hoje: "Sê tu uma bênção" (Gn 12:2). Não tem como praticar isso se não envolver outras pessoas e gastar tempo com elas.
Mas o "uns aos outros" tem de ser recíproco. Quando apenas um dos lados dá, esgota.
Sobre a nossa necessidade
Uma pessoa me questionou se ao procurar uma igreja que atendesse "às nossas necessidades" eu não estaria manifestando individualismo também.
Bem, pelo menos neste aspecto vamos ser bem claros e explícitos: eu e minha esposa já por muitos anos temos sempre dito um para ou outro que temos condições de nos sustentar sozinhos se for o caso, ou seja, de buscar em Deus e na Sua Palavra.
Mas sempre procuramos suprir nossos filhos com a oportunidade de se relacionar com um grupo de irmãos onde eles pudessem também experimentar a prática da vida cristã de maneira bíblicamente saudável. Por isso, uma das primeiras coisa que fazemos quando entramos em uma igreja é contar quantas cabecinhas jovens tem lá. Depois observamos seu comportamento para ver se reconhecemos o temor do Senhor entre eles (perceba que não disse comportados ou quietos, mas tementes a Deus, são duas coisas diferentes).
Essa tem sido a nossa maior necessidade. O resto, com certeza, virá como conseqüência, inclusive a nossa participação em qualquer área ministerial que tenhamos dom para ajudar.
Algumas pessoas sugeriram começar um trabalho em casa. Com certeza esse é um desejo... depois de estarmos inseridos em uma igreja. Desde que saímos de Curitiba, saímos com a convicção de que deveríamos somar, por isso, abrir mais um trabalho independente não está nos nossos planos (pelo menos não entendemos que Deus esteja nos digirindo assim ainda).
Finalizando
Para finalizar, quero agradecer novamente todos os que estão orando. Pedimos que Deus nos oriente à igreja em que possamos ser bênção (essa foi a nossa oração desde antes de sair de Curitiba), mas onde tenhamos as nossas necessidades atendidas também.
Para que "suportando uns aos outros" e "edificando-nos mutuamente uns aos outros" cheguemos à medida da estatura de Cristo.